DESCUBRA COMO A TOXINA BOTULÍNICA PODE AUXILIAR NO TRATAMENTO DE CICATRIZES HIPERTRÓFICAS E QUELOIDES. SAIBA QUANDO ELA É INDICADA, BENEFÍCIOS, LIMITAÇÕES E O QUE MOSTRAM AS EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS.
Curitiba, Agosto de 2026
Quando falamos em toxina botulínica (popularmente conhecida como Botox®), a maioria das pessoas associa seu uso ao tratamento de rugas de expressão.
Entretanto, nos últimos anos, pesquisas científicas têm demonstrado que sua aplicação pode ir além da estética facial.
Entre essas aplicações está o tratamento complementar de cicatrizes hipertróficas e queloides, principalmente por sua capacidade de reduzir a tensão mecânica durante a cicatrização e favorecer um processo de reparo mais organizado.
Embora não seja considerado um tratamento isolado para essas cicatrizes, o Botox pode representar um importante aliado quando integrado a protocolos individualizados.
Segundo o Dr. Gustavo Thá, dermatologista da Clínica Thá e Professor da residência em dermatologia, coordenador do ambulatório de cicatrizes e palestrante sobre o tema:
“A toxina botulínica não deve ser encarada como uma solução isolada para queloides ou cicatrizes hipertróficas, mas como uma ferramenta que pode integrar protocolos personalizados em pacientes selecionados.”
Embora muitas pessoas utilizem esses termos como sinônimos, existem diferenças importantes.
A cicatriz hipertrófica caracteriza-se por:
• elevação da pele;
• coloração avermelhada ou rosada;
• espessamento localizado;
• permanência dentro dos limites da ferida original.
Em muitos casos, apresenta melhora gradual ao longo do tempo.
O queloide apresenta comportamento diferente.
Suas principais características incluem:
• crescimento além dos limites da lesão inicial;
• maior produção de colágeno;
• tendência à recorrência;
• possibilidade de dor, coceira e desconforto estético.
A predisposição genética desempenha papel importante no desenvolvimento dos queloides.
A cicatrização depende do equilíbrio entre produção e remodelação do colágeno.
Quando esse processo sofre alterações, ocorre uma resposta exagerada dos fibroblastos, células
responsáveis pela produção das fibras de sustentação da pele.
Além da predisposição individual, fatores como:
• tensão constante na pele;
• localização da cicatriz;
• inflamação prolongada;
• infecção;
• cicatrização lenta;
Podem aumentar o risco de formação de cicatrizes hipertróficas e queloides.
A principal ação da toxina botulínica está relacionada ao relaxamento muscular temporário.
Ao reduzir a contração da musculatura próxima à cicatriz, diminui-se a força de tração exercida sobre a pele durante o processo de cicatrização.
Essa redução da tensão mecânica cria condições mais favoráveis para uma cicatriz mais fina, uniforme e organizada.
Além desse mecanismo, estudos sugerem que a toxina botulínica também pode:
• reduzir a atividade dos fibroblastos;
• modular fatores relacionados à fibrose, como o TGF-β1;
• diminuir a produção excessiva de colágeno;
• reduzir mediadores inflamatórios;
• aliviar sintomas como dor e prurido.
Esses mecanismos ainda continuam sendo estudados, mas os resultados disponíveis são bastante promissores.
As evidências atuais apontam resultados positivos, principalmente quando a toxina botulínica é
utilizada em conjunto com outras modalidades terapêuticas.
As revisões sistemáticas publicadas até o momento sugerem benefícios como:
• melhora da aparência estética;
• menor espessura cicatricial;
• redução de sintomas;
• maior satisfação dos pacientes;
• melhor remodelação do colágeno.
Apesar desses resultados, ainda não existe um protocolo universal de dose, intervalo entre aplicações ou número ideal de sessões.
Novos estudos continuam sendo desenvolvidos para padronizar essas recomendações
Não.
Atualmente, as principais diretrizes internacionais recomendam abordagem combinada.
Dependendo do tipo da cicatriz, podem ser utilizados:
• infiltração com corticosteroides;
• 5-fluorouracil (5-FU);
• placas ou gel de silicone;
• terapia compressiva;
• laser vascular;
• laser fracionado;
• cirurgia com terapias adjuvantes;
• toxina botulínica.
Cada tratamento possui uma indicação específica e deve ser individualizado.
Na Clínica Thá Dermatologia, entendemos que nenhuma cicatriz é igual à outra.
Por isso, cada paciente é avaliado de forma individualizada, considerando fatores como localização da lesão, tempo de evolução, sintomas, histórico familiar e impacto funcional e estético.
Quando indicado, a toxina botulínica pode ser integrada a um plano terapêutico personalizado,
frequentemente associada a tecnologias a laser e outras terapias consagradas para otimizar os resultados e proporcionar uma cicatrização de melhor qualidade.
Segundo o Dr. Gustavo Thá, dermatologista da Clínica Thá e Professor da residência em dermatologia, coordenador do ambulatório de cicatrizes e palestrante sobre o tema:
“Hoje sabemos que tratar uma cicatriz não significa apenas reduzir seu volume. Precisamos compreender os fatores que influenciam sua formação. Em alguns casos, diminuir a tensão exercida sobre a pele durante a cicatrização pode representar uma estratégia importante para alcançar melhores resultados.”
A Dra. Dayana Thá complementa:
“Cada cicatriz possui características próprias. O tratamento ideal depende de uma avaliação individualizada, que considere não apenas a aparência da lesão, mas também seus sintomas, sua
localização e o histórico do paciente.”
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